domingo, 31 de maio de 2009

Apresentação 2.0




Introdução - César

Introdução

O a perspectiva discurso jornalístico e a AD - Daiane

Discurso jornalístico e AD

Corpus, Gênero e Contexto - Paulo

Corpus, Gênero e Contexto


Análise do Corpus I - Vitor




Apresentação

Introdução - César

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/introducao-inter-ducao.html

O a perspectiva discurso jornalístico e a AD - Daiane

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/teste.html

Corpus, Gênero e Contexto - Paulo

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/caminhando.html

Análise do Corpus I - Vitor

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/combater-x-lutar.html

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/malmau.html

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/tema-do-texto-e-intrusao.html

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/garrafa-de-klein.html

http://blogjornalisticoenet.blogspot.com/2009/05/analise-do-corpus-o-efeito-moebius.html

Análise do Corpus II - Marli

A Perspectiva do discurso jornalístico na AD

  • Contextualização:
Considerando que AD pode ser utilizada para avaliar toda espécie de discurso, no jornalismo ela é capaz de revelar sentidos aparentemente ausentes dos textos, aprofundar concepções políticas e trazer à tona os interesses que movem a construção de certos sentidos e o ocultamento de outros. Sendo o jornalismo sempre uma narrativa, a AD pode se consolidar como um caminho a ser percorrido na busca do entendimento das mais variadas questões deste campo.

O texto jornalístico, verbal ou não, possui uma materialidade discursiva, manifesta nos sentidos que faz circular. Analisar estes sentidos, por meio daquilo que é mais superficial ou “material”, significa reconhecer as marcas que regem a construção do texto e guiam a interpretação, identificando as formações discursivas. Significa ainda mapear as diversas vozes presentes no discurso mas, também, as vozes que nele não têm lugar.

  • Jornalismo informativo
Gênero supostamente “não contaminado” pela opinião e pela ideologia, define a si mesmo como imparcial e isento. Faz parte de seu jogo discursivo fazer crer que ele se interpõe entre os fatos e o leitor de forma a retratar fielmente a realidade. Não poderia ser diferente, já que o que está em jogo é sua credibilidade, aquilo que lhe confere valor. Ou, como diria Foucault, na posição em que está, o jornalismo não poderia dizer outra coisa de si mesmo.

  • “Contrato de leitura”
Neste sentido podemos falar da existência de um “contrato de leitura”, que se dá a partir da credibilidade que o jornalismo e os veículos de comunicação adquirem ao longo da historia e principalmente de sua necessidade de manter esta credibilidade.

“Lemos as notícias acreditando que elas são um índice do real; acreditando que os profissionais do campo jornalístico não irão transgredir a fronteira que separa o real da ficção. E é a existência de um ‘acordo de cavalheiros’ entre jornalistas e leitores pelo respeito dessa fronteira que torna possível a leitura das notícias enquanto índice do real e, igualmente, condena qualquer transgressão como ‘crime’”. Nelson Traquina (1993).

  • Jornalismo como “espelho do real”: uma ilusão necessária
Embora a visão do jornalismo como um “espelho” do real não encontre sustentação teórica, fazer com que o leitor creia nesta ilusão continua sendo vital para o jornalismo pois, ele não pode construir outra imagem a respeito de si mesmo que não aquela de ser uma instituição capaz de um relato fiel dos fatos e dos pensamentos. Afinal, é por meio do jornalismo que o leitor espera ler o mundo.

A relação dos jornalistas com seus leitores pode ser às vezes, paradoxal ou hipócrita, dependendo do termo que se prefira usar, uma vez que o jornalismo é uma narração do real mediada por sujeitos (no exercício de suas subjetividades) desta forma as escolhas se dão desde a pauta até a edição, passando pela apuração, seleção das fontes e hierarquização das informações. E curiosamente, mesmo tendo consciência desse processo, o leitor ainda busca no jornalismo uma porta para o real, confirmando que o contrato de leitura realmente funciona.

  • A linguagem determinada pelas formações imaginárias
De modo bastante particular, o jornalismo, trabalha com uma imagem a respeito do interlocutor que determina não apenas questões relativas às escolhas temáticas, mas também questões que dizem respeito ao uso da linguagem e à prática discursiva. O jornalista fala tendo como horizonte um leitor de sua fala. Pesquisas de opinião, por exemplo são uma forma de se conhecer melhor leitor quanto às suas condições socioeconômicas e culturais, dentre outras. Portanto, são as formações imaginárias que possibilitam adequações e diferentes usos da linguagem e estilos nos veículos de comunicação. O jornalista tem sempre em mente, mesmo que de modo internalizado ou intuitivo, o seu “público leitor”. Pensa saber o que este leitor quer saber e até onde vai o seu interesse. Fala e escreve para um leitor virtual.


  • A relação jornalista e leitor

É interessante, porém, observar que o leitor “real” também tem que se relacionar com esse leitor virtual inscrito no texto. O leitor estabelece com os jornalistas uma relação de confiança ou desconfiança, admiração ou desprezo. Pode ser, como diz Orlandi, um cúmplice ou um adversário. E isto será exemplificado de modo claro no nosso corpus de análise. Além disso, também estabelece com aquele leitor imaginado, residente no texto, uma relação de identificação ou não. Outro exemplo é se o texto é muito hermético ou excessivamente especializado, onde o leitor pode desistir dele por não se identificar com “aquele leitor para quem aquele texto foi produzido”.

Se pensarmos que a mídia não está fora do mundo que pretende retratar veremos que ela é imperfeita, complexa e inacabada como ele, e em seu interior se movem sujeitos plenos de pensamentos, idéias e interesses a defender. Mesmo quando estes interesses parecem ser nobres ou ter validade universal, mesmo nesses casos jornalistas são sujeitos que lutam para conciliar seus critérios éticos e jornalísticos (o seu “news judgement”) com as informações que julgam relevantes e organizadas do ponto de vista que consideram mais adequado. Por que alguns se angustiam tanto com a expressão “subjetividade”? Talvez porque, ao defenderem a precisão, a exatidão, a clareza (que abomina a ambigüidade) e o equilíbrio como critérios pragmáticos para evitar o erro, a inverdade, a fraude e a manipulação, tenham na verdade idealizado uma “objetividade” (cuja coexistência com a subjetividade é vista como impossível). Fazer objetividade e subjetividade conviverem em um mesmo espaço exige um pensamento de maior complexidade, não excludente, que aceite o movimento das contradições. A Análise do Discurso, de certo modo, joga luz sobre esse falso dilema.

  • Estratégias discursivas
Finalizando as considerações pode-se afirmar que não há jornalismo sem aquilo que costumamos compreender como sendo “exterior”: os fatos, as relações de poder, os contextos sociais, as decisões políticas, os interesses econômicos, as crenças religiosas, as concepções estéticas. Tudo isso, que por uma questão de recorte temos por hábito deixar “fora” do discurso, na verdade o constitui. O discurso é o resultado de tudo que lhe parece externo. Em um movimento complexo, o jornalismo mostra e esconde o que convém a seus enunciadores por meio de estratégias discursivas.

  • Ciberespaço: o discurso dos “excluídos”
Direcionando a abordagem para nosso corpus de análise nota-se que à semelhança do que ocorre em outros suportes de comunicação, as idéias não hegemônicas muito dificilmente ganham espaço no jornalismo on line. Aqueles que têm acesso garantido aos espaços discursivos da mídia tradicional (jornais, revistas, rádio e televisão) são os mesmos que têm acesso à mídia digital. Da mesma forma, os que tradicionalmente são excluídos, continuarão de fora. Assim, no ciberespaço, "as idéias do lado B", ou seja, o discurso dos “excluídos” só aparece em sites e homepages de iniciativa pessoal, como por exemplo, os blogs e geralmente só é conhecido quando o sujeito-internauta está realizando buscas de caráter não puramente informacional mas também de natureza interpretativa, buscando novos e diferentes pontos de vista sobre algum assunto.

Deste modo a AD pode mostrar o que no jornalismo habitualmente permanece oculto: quem fala e a partir de qual posição ideológica.

Daiane Cristina Guerra

Referências bibliográficas:
• Cristina Teixeira Vieira de Melo. A análise do discurso em contraponto à noção de acessibilidade ilimitada da internet. Disponível em: http://www.ufpe.br/nehte/artigos.
• Marcia Benetti Machado; Nilda Jacks. O discurso jornalístico. Texto apresentado em encontro do GT Estudos de Jornalismo da COMPÓS. Disponível em: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/1515.html.

INTRODUÇÃO - INTER-DUÇÃO

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“Pensar é dobrar, é duplicar o Fora com um dentro que lhe é coextensivo”. (Deleuze, G.)


Titulo: Blog e Subjetivação: o sujeito do discurso na rede.


INTRODUÇÃO


O presente trabalho tem como intuito discutir a problemática da subjetivação na rede eletrônica, mais especificamente a subjetivação do sujeito do discurso na rede através da interface dos Blogs, entendidos como um canal de expressão de discursos que trazem à tona a tênue linha que separa a relação entre o privado e o público, ou, entre o particular e o coletivo.
Dentro do referencial da Análise do Discurso contaremos com a contribuição de outros autores como Pierre Lévy e Gilles Deleuze para nos apoiarmos em algumas discussões. Objetivamos colocar em debate a questão da escrita do Blog como forma de subjetivação, como uma linha dentro do processo de produção da subjetividade capitalística. Dentro dessa subjetivação olharemos para o acontecimento discursivo atualizado nos dispositivos de Blog
Podemos nos referir como ponto de partida, à noção de sujeito e discurso dentro da AD. O sujeito, na pós-modernidade perdeu sua soberania, seu status ontológico para tornar-se vários, assumir diferentes posições, diferentes papéis. Assim, dentro da teoria proposta por Michel Pêcheux, não há um sujeito falante, mas sim, posições-sujeito, ou seja, diferentes posições que o sujeito do discurso ‘assume’ de e por onde ele fala. O sujeito em-si deu lugar ao que Pêcheux chamou de “posição-discursiva”, em outras palavras, o lugar (de poder e saber) de onde o sujeito articula a linguagem dentro de uma formação discursiva que por si é permeada pela ideologia.
Segundo Foucault, o campo do saber é composto basicamente por luz e linguagem, por visibilidades e enunciações, ver e falar. Na concepção de Foucault que de certa forma será abastecida por Deleuze, é de posicionar do pensamento entre visibilidades e enunciações, entre o ver e o falar, que não quer dizer somente o que se vê e o que se fala, mas sim todo um campo de percepções e enunciações. O pensamento como um entre-meio, no jogo de forças entre o Saber, o Poder e o Fora (“caos”).
Assim, pensar é produzir, no entre-meio das 3 instâncias (saber, poder e Fora), novos entre-laçamentos entre o visível e o enunciável no campo do Saber. (Pélbart, 1998). No entanto, o quê se fala, como se fala, o que cala e o que faz calar, tudo isso está imerso nas condições, nos “jogos de verdade”, no contexto necessariamente histórico. Assim, o campo do Saber é sempre permeado por diagramas de poder, que são os mecanismos que fazem falar e os que fazem calar (e como calam!). Poder e Saber, “o poder como exercício, o saber como regulamento” (DELEUZE apud Chatelêt, 2006, pp.82). – (ou em Deleuze: Formas de Expressão e Formas de Conteúdo -MP2).
A Internet. Dispositivo criado pelo governo norte americano, com fins necessariamente bélicos. Com o projeto de desenvolver uma possibilidade de comunicação remota entre computadores que não seja passiva de rastreamento ou “grampo”, como no caso do telefone, por exemplo. Assim, nascia a Internet, uma rede para fins exclusivamente militares que dispunha de um aparato técnico que garantia na transferência de dados confidenciais. Este invento tomou corpo sendo disponibilizado em alguns centros acadêmicos que desenvolvendo novas tecnologias, foram aperfeiçoando o que vem se tornando um fenômeno global.

Para continuarmos a falar sobre nosso objeto de análise, necessitamos que fiquem às claras algumas noções fundamentais referentes ao conceito de Virtual. O virtual, pode ser compreendido como o que há em potência mas não em ato, o virtual assim se oporia mais ao atual do que ao real, pois, o real se efetua e o virtual se atualiza (Lévy, 2007).
De acordo com Lévy e este com Deleuze, o virtual implica uma desterritorialização, mas, na formula proposta por Deleuze está dito que toda desterritorialização implica uma re-territorialização. O virtual sendo compreendido como possibilidade em potência, como uma problematização.

O virtual se estende a quase todas as formas de compreensão. Basicamente, a palavra é uma virtualização de um sentido (pensado), o texto uma virtualização do pensamento (dizível, etc.). Porém, aí um problema está lançado. O virtual necessita necessariamente de um “plano” de atualização, no caso do computador, a interface do monitor torna possível a interação com um objeto que opera somente por uma lógica binária (0/1). “O virtual é uma fonte indefinida de atualizações” (LÈVY, 2007, pp.48).

Ao que tange nossa discussão, devemos nos ater ao virtual em seu curso referente à internet, a esta rede de dados, a este hipertexto imenso. O espaço de possível interação na rede leva o nome de ciberespaço (Lévy, 2007). O termo ciber refere à controle, espaço controlado, tendo em vista que a internet é uma deriva do movimento da cibernética (teoria da comunicação). Mas por incrível que pareça, essa rede por mais organizada que possa ser, torna-se ao mesmo tempo, um grande caos, um mar revolto espalhado em mil ondas em um sem-fundo de dados. Necessita-se sim, de barcos, bandeiras, manuais de navegação, atalhos, trilhas, mapas etc, tudo como suporte para a possibilidade de se entrar em contato com o Fora da rede, com a grandeza maior, o caos.

Mediante a tempestade, criamos nosso cosmos no interior em nosso guarda-chuva dirá D.H Lawrence, mas a arte, a poesia viriam a investir golpes de navalha nesse guarda-chuvas, fazendo passar um pouco de caos, traçando pontes com o Fora absoluto das forças selvagens, produzindo a Diferença.

O fenômeno dos Blogs (‘memória afectiva’) quanto um mecanismo (interface) virtual cria possibilidades de subjetivação necessariamente novas. Através do Blog é dada a condição de que sujeitos com pouco conhecimento em informática montarem pequenas ‘home-pages’. A condição para a utilização do blog, obviamente necessita de que quem deseja criar o seu, precisa ser identificado, reconhecido, “o barco precisa ter bandeira branca”, necessita-se de uma cifra, uma senha.
Passado pelo reconhecimento, o sujeito tem a “ilusão” de ser livre para escrever algo que outras pessoas na rede (o Outro – o Fora da Rede), verão. Pode-se escrever coisas dentro de certos limites impostos pelos desenvolvedores, ou seja, coisas são ditas, e coisas não podem ser ditas. O visível e o enunciável de mãos dadas com o invisível e o indizível. Luz e linguagem e sombra e silêncio.
O blog convida o navegante a escrever, a sentir-se autor de algo, nem que seja da própria vida. (Schittine, 2004). Assim, o movimento do Blog seria tornar público um pequeno fragmento da vida ‘privada’, da realidade subjetiva, como um ‘diário íntimo’? Ao mesmo tempo, seria tornar privado uma criação coletiva? Tornar pública uma criação de si mesmo? Falar verdades, falar mentiras? Ecoar vozes outras?
Vamos falar do blog como um mecanismo que possibilita uma atualização da vida do navegador, sem que necessariamente isso seja real do ponto de vista da efetuação, mas é real do ponto de vista do virtual. Falar de si, falar dos outros, falar pra alguém, falar pro Outro, pro desconhecido, pro Fora. É nesse ponto que me interessa a questão, onde justamente o Blog viria a ser um dispositivo de exercício do pensamento, um dispositivo de ‘abertura’ para novas singularidades, novos Acontecimentos.
Quando nos utilizamos do Blog para nos produzirmos, produzir novas possibilidades, produzir nossa subjetividade não devemos esquecer o quão controlado é o meio caótico da internet (ciberespaço), e o quanto está inserido no social que Deleuze chamou de “sociedade de controle”. Mais uma vez os jogos de poder, os jogos de verdade de Foucault ou seja, “Onde há liberdade há poder” (Foucault, 2006).
O blog seria uma espécie de memória virtual ‘livre’. Cria-se um pequeno arquivo pessoal/coletivo. Cria-se uma memória, coletiva-se pessoalidades, pessoaliza-se coletividades. Esse duplo movimento concerte ao movimento da virtualização, ou ao que Lévy chamou de “efeito Moebius” (Lévy, 2005). O Blog, poderia até mesmo ser compreendido como um espaço de micropolíticas, espaço de produção de singularidades, como produção de desejo.

E é nesse ponto que as análises discursivas incidirão, no interstício do discurso de um sujeito, ou melhor as diferentes ‘posições discursivas’ que um determinado autor atualiza em seu blog fazendo uso da linguagem como um instrumento de expressão pessoal/política fazendo alusão a um evento recente do quadro político brasileiro.

O Blog, assim como o navio, é uma dobra do Fora (rede), é o Dentro do Fora. O navio é o Dentro (Fora) do mar, assim como o Blog é uma dobra do Fora da rede (cibercaos) onde o sujeito se Dobra e re-dobra. O Dês-dobrar, estaria mais associado a uma distenção do Fora. Um lançar-se no campo Aberto das forças selvagens que regem o Caos. Pensar é criar um campo de imanência com o Fora, deixar passar, atravessar, mas como um mínimo de organização para que no despertar da nova aurora, possamos continuar nossa batalha. Uma desterritorialização total, implicaria na Loucura, em sua forma de passividade com relação às Forças. (Deleuze, 2005; Pélbart, 1989).
No entanto, a arte seria uma forma de lançar-se nesse ‘selvagem das forças’ para produzir a diferença. O Fora é a diferença. O Fora é o mais longe e ao mesmo tempo o mais perto. O impensado dentro do pensamento.
Segundo Deleuze, a subjetividade se faz por dobras, mais diretamente, por 4 ‘grandes dobras’, sendo elas: 1. a parte matéria de nós mesmos (o Corpo); 2. a relação de forças (o Poder); 3. A dobra da verdade (o Saber); 4. o lado de Fora (Caos – zona de potências/intensidades/ forças nômades). (Deleuze, 2005). Assim, a subjetividade seria uma modalidade de inflexão das forças do Fora, onde cria-se um interior. (Pélbart, 1998). A arte seria uma forma de pirar ser enlouquecer.


Blogar é lançar garrafas ao mar contendo mensagens para um estrangeiro. Blogar é no mínimo uma nova forma de experiência, um meio de subjetivar-se, uma nova possibilidade de Dobra, um campo de possibilidade de pensamento, de produção de subjetividade, e em menor escala, de produção de singularidades, forças revolucionárias, revoluções moleculares.

Ps. Avante Piratas!


Referências

DELEUZE, G. Conversações. São Paulo: Ed.34, 2008.

___________. Foucault. Lisboa: Edições 70, 2005.

FOUCAULT, M. Ética, sexualidade, política: Ditos e escritos Vol.5. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed.34, 2007.

_______. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 2005.

ORLANDI, E. Análise de Discurso. Campinas, SP.: Pontes, 1999.

PAL-PÉLBART, P. Da clausura do fora ao fora da clausura. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1989.

PÉCHEUX, M. Semântica e discurso. Campinas: Ed. Unicamp, 1997.

SCHITTINE, D. Blog: comunicação e escrita íntima na internet. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

Análise do Corpus: O efeito Moebius




O tema, em si, trata de um tema público, a doença de uma personagem pública: Dilma Rousseff. Porém, a estrutura do blog e o próprio discurso do jornalista já propõe uma entrada para o universo privado do jornalista.

Blog, subjetivação pela estrutura: “A mutualização dos recursos, das informações e das competências provoca claramente esse tipo de indecisão ativa, esses circuitos de reversão entre exterioridade e interioridade” (Levy, 2005, p. 25).

O blog em si já determina algumas direções de sentido, pois a censura quase nula possibilita a emergência de um discurso que mescla a opinião pessoal e os fatos expostos na mídia. Sua estrutura não apenas coloca o individual, a escrita do sujeito, suas opiniões, expostas ao público, mas possibilita sua interferência, através dos comentários feitos pelo público leitor.

Garrafa de Klein

Porém, pode-se supor um nível mais profundo desse imbricamento entre interior e exterior, o que se mostra através de um termo muito significativo :


“Cabeça Furada”
(referência ao jornalista por um comentarista, recortado por ele próprio)


E é justamente por esse furo, não o real (feito cirurgicamente), mas o discursivo que, como uma garrafa de Klein, cria uma tessitura contínua entre o dentro e o fora, o privado e o particular. Mesmo com a possibilidade do jornalista de eliminar os comentários que desejar, isso não elimina os efeitos de discurso que essa rede propicia, que parece, neste caso, reforçar o adjetivo analisado. Isso pode ser compreendido pelo laço explícito entre duas histórias: o câncer de Dilma e o tumor de Reinaldo.



A expressão “cabeça furada” insere-se nessa zona de passagem, turbulenta, por várias perpectivas.

Pode-se compreender aí o efeito de sentido que a palavra “furada” adquire, mobilizando redes de sentido relacionados à doença, câncer, salientando o “furo” como algo negativo, uma determinada falta.

“É incrível como você não aprendeu nada, né, cabeça furada

Essa citação que o jornalista fez de um comentário (selecionado por ele) dirige a polissemia da palavra “furada”, enquanto adjetivo do substantivo “cabeça”, ao se encontrar em uma frase ao lado do verbo aprender. Nossa cabeça carrega vários sentidos vinculados ao conhecimento, aprendizado. “Não aprender” e “cabeça furada” parecer estar em uma relação de causa e efeito.

“não aprendeu nada, pois tem a cabeça furada”

O furo aí é um furo biológico, discursivo e moral: como se questionasse e, em última instância, desse uma explicação biológica à imobilidade do jornalista em suas opiniões, no caso, seu posicionamento crítico frente ao PT e alguns de seus partidários e políticos.

Tema do texto e a Intrusão

Explicitamente, o autor do post busca responder a um tema específico, que ele traduz na seguinte frase: “o sofrimento não tem conteúdo moral”. Podemos realizar aí uma comparação, a grosso modo, desses dois pólos, sofrimento e moral com, respectivamente, as idéias de privado e público.

A moral (adjetivo), tal como é discutida na filosofia pela ética, refere-se condutas que podem ser valoradas moralmente, utilizada principalmente quando se fala de coisas positivamente valoráveis, ou seja, boas (Abbagnano, 1998, p.696). Dessa forma, a idéia de moral refere-se a comportamentos principalmente em uma dimensão de socialidade, ou seja, em relação ao outro.

Mal/Mau

“Mas doença não é categoria de pensamento. Doença não serve para distinguir pessoas, nem para o mal nem para o bem. No meu mundo, homens e mulheres são mesmo imperfeitos, têm problemas — inclusive os de saúde. Mas não se conformam com eles. Os males que temos, no corpo e na alma, têm de ser combatidos.”

“O câncer não faz ninguém nem melhor nem pior. O câncer é só um mal.”

Abbagnano, 1998: Expõe duas teorias distintas sobre a questão do Bem e do Mal

Metafísica: Bem e Mal são categorias relacionadas ao Ser e ao Não-ser, determinantes da Verdade.

Subjetivista: O bem e o mal são assim denominados dependendo do desejo do sujeito: O que é desejado (Bem), o que não é desejado (mal). – Hobbes e Locke se ligam a essa corrente.

Dessa forma, o sentido de “mal” abrange essa ambivalência: Algo que é mal o é assim por que eu o odeio / me causa desprazer, ou porque ele possui essa característica em si mesmo. O próprio sentido da palavra mal inclui um sujeito que define o que é mal e propicia um esquecimento – se é mal o é por si.

Combater X Lutar

“Os males que temos, no corpo e na alma, têm de ser combatidos.”
“Será considerado um inimigo desta página aquele que ousar fazer o que faz a escória que combato: usar essa questão para atingir politicamente a pré-candidata do PT. A Dilma que combato é a que lidera a farsa política do PAC. A Dilma que luta, como todos nós, contra os seus males merece o meu aplauso.”



lutar
Travar luta.
Combater.
Esforçar-se
Resistir
Trabalhar com afinco
Questionar, discutir
Tapar com luto

combater

Entrar em combate contra
Bater
Impugnar, lutar contra
Tratar de dominar

A palavra combate reforça uma postura sempre ativa e bélica, tendo um sentido mais específico que luta, pois lutar inclui também o sentido da resistência, do esforço, do questionamento.


A dimensão moral, relacionada aos qualificativos “bem” e “mal”, juntamente com u uso do verbo “combater”, perpassam o texto e parecem deixar duas impressões:

Um aproximação de sentido entre a doença individual (câncer) e as questões políticas consideradas como doença (a posição do jornalista frente ao partido sobre o qual discorre).

Uma dimensão bélica que também os aproximam, enquanto duas coisas que devem ser “combatidas”.

Nesse processo de aproximação entre o “câncer” e o PT, podemos ver a história individual do jornalista imiscuir-se em sua escrita pública.

Tá no E-MEIO

Câmbio, câmbio! Alguém na escuta?

Encaminhei no email de vcs a Introdução.

Senti necessidade de "sigilo", por isso mandei pra cada um.

Senti-me perseguido pelos "mil Olhos" do Ciberespaço, hehehe.

Aguardo contato

Câmbio e Desligo.

Introdução pelo MEIO

Saudações navegantes!
Eu estou finalizando a minha parte da aresentação junto com a introdução. Escrevi m texto que pretendo ler lá na hora. Eu falo sobre nossa proposta, e faço m apaado conceitual de coisas da AD, a questão do Virtual, da cibercultura. Falo um pouco sobre o Blog como meio de exercício do pensamento. Falo da questão do Efeito Moebius, que é o nosso lance, as confusões entre o público e o privdo...Falo um pouco sobre a Sociedade de Controle em Deleuze, falo do caos da rede, da Dobra. Falo da desterritorialização

Enfim, agora a tarde vou finalizar e envio ou posto no Blog.

E Paulo, vamos ver se cruzamos essas idéias pra colocar no texto, pra que não falemos duas vezes, talves vc possa focar mais o lado da AD mesmo, qe eu coloco en passent

Mas, de qualquer forma. Tá quase pronto...

E sobre as postagens, desculpem mas não consigo ficar Blogando, ou melhor, entrando nessa web-morada, toda hora. Ainda não fui totalmente capturado... Apesar de me utilizar do Blog como produção de linha de Fuga criativa.

Ah, eu ia sugerir que lêssemos aquele poema que postei no final da apresentação, o que vcs acham???

No mais é isso, logo eu pirateio meu texto.

Abraços virtuais!!

Inté!!

sábado, 30 de maio de 2009

Caminhando

Corpus, Gênero e Contexto

• Importância do Gênero para a transmissão do conteúdo: Lições de Bakhtin e Pécora.

- Todas as esferas da atividade humana estão relacionadas à utilização da língua. (Bakhtin, 1982)

- O conteúdo temático, o estilo e a construção composicional fundem-se no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Assim, cada esfera de utlização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados: são os gêneros do discurso.

- Gêneros são fenômenos históricos, vinculados à vida cultural e social e, portanto, maleáveis, dinâmicos e plásticas. Emparelham-se não só a necessidades e atividades sócio-culturais, como também a inovações tecnológicas.

- Hoje, em meio à cultura eletrônica, presenciamos uma explosão de novos gêneros e novas formas de comunicação, tanto na oralidade como na escrita.

- Seguramente, esses novos gêneros não são inovações absolutas. O fato já fora notado por Bakhtin (1997) que falava na 'transmutação' dos gêneros e na assimilação de um gênero por outro, gerando novos. A tecnologia favorece o surgimento de formas inovadoras, mas não absolutamente novas (MARCUSCHI, 2005).

- Observe-se, como exemplo, a relação existente entre o gênero diário e o gênero blog. Eles aparecem sob a forma de "ruínas de gêneros discursivos", conceito formulado para discutir o modo como um gênero de discurso se apresenta em função da emergência de novas atividades humanas (Bakhtin, 1992). Assim, a análise de fragmentos de enunciados genéricos do diário nos blogs tem importância na medida em que permite novas perspectivas de leitura sobre o modo de exposição da intimidade no espaço público atual. A consideração das descontinuidades é o que possibilita discutir os efeitos de poder que fundam as relações sociais e, consequentemente, as noções socialmente partilhadas com o outro, referentes, sobretudo, ao público, ao privado e ao íntimo. Da perspectiva dos estudos históricos, Prost (1992) enfatiza o fato de que a vida privada é realidade histórica construída de maneiras distintas pelos sujeitos de sociedades determinadas, segundo recortes variáveis da atividade humana entre a esfera privada e a esfera pública.

- Alcir Pécora em dois livros, Teatro do Sacramento (2008) e Máquino de Gêneros (2001), visa demonstrar através de uma abordagem literário-histórica que os gêneros não são formas transparentes que expressam conteúdos sociais ou subjetivos, mas determinações formais e históricas dos sentidos dos escritos. A estrutura do gênero está ligada a sua função.

• Breve Histórico sobre a origem dos “weblogs”.

- Definição: qualquer tipo de mídia onde um indivíduo expresse sua opinião ou simplesmente discorra sobre um assunto qualquer.

- Origens: Comunidades digitais, listas e forúns de discussão.

- Importância do permalink para a popularização.

• Estrutura do blog .
• De diário íntimo para espaço de exposição do eu.
• O blog jornalístico. Espaço de confusão entre público e privado ou respeito à linguagem editorial?

• Definição do blog: motivo de escolha e informações gerais.
• Corpus Teórico.
• Histórico de Reinaldo Azevedo.
• Dilma e o câncer.
• A ideologia na política, a política no blog, o blog no Reinaldo e o Reinaldo a teclar.





Contratempos

Gente, tô com uma febre muito forte. Montei uma parte da minha apresentação e monto o resto depois pq não tô conseguindo ficar no PC. Espero as partes de vcs pra montar o post com todos os links de apresentação e o powerpoint de reserva pro caso da internet não dar certo.

Se estiverem um pouco atrasados com a parte escrita não há problemas, vamos focalizar na apresentação que é o mais importante.

Abraços febris! Volto mais tarde.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Show do Eu

Posto aqui o link de um livro interessante, que fala sobre a espeacularização da individualidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Reinaldo segundo a Desciclopédia

http://desciclo.pedia.ws/wiki/Reinaldo_Azevedo

Só o link, porque o texto em si é muito grande e poluiria o blog. Vale uma visita!

Reinaldo segundo a Wikipedia

Reinaldo Azevedo (Dois Córregos, 19 de agosto de 1961) é um jornalista brasileiro. Foi redator-chefe das revistas Primeira Leitura[1] e Bravo!, editor-adjunto de política da Folha de S. Paulo, coordenador de política da sucursal de Brasília do mesmo jornal e redator-chefe do jornal Diário do Grande ABC, de Santo André, entre 1991 e 1993. Hoje, é articulista da revista Veja e mantém um blog hospedado no site da revista.

Azevedo freqüentou alguns cursos de Letras na Universidade de São Paulo (USP) e formou-se em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Reinaldo foi trotskista nos tempos da ditadura militar no Brasil. Participou da militância esquerdista na clandestinidade. “Eu tinha 14 anos, em 1975, e era dono de uma certa inquietude política. Não havia nada de propriamente ideológico. Era inconformismo”. Adulto, tornou-se um crítico feroz do comunismo e de quaisquer idéias socialistas. Defende posições que causam controvérsia: “Crescer é ter direito a preconceitos. Não gosto de aviões, comida japonesa, comunistas, jazz, solo de saxofone, presidentes semianalfabetos, especialistas em vinhos, pão com gergelim e gente que faz passeata pela paz". Tampouco simpatiza com Lula e seus partidários; é autor de uma frase sobre o assunto que foi muito reproduzida: “Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil"[2]. Embora faça críticas ao governo Lula, por muitos consideradas "extremistas", já na Primeira Leitura Azevedo adotava uma postura muito crítica em relação a governos, à época em relação ao governo FHC, fato que, muitas vezes, seus críticos esquecem. "O combate mais duro a um texto de um acadêmico que previa o fim do mundo se Lula fosse eleito se deu no site Primeira Leitura"[1].

Católico praticante, é admirador do papa Bento XVI e opositor da teologia da libertação, que apelida de “escatologia da libertação”. Reinaldo Azevedo posiciona-se, em seus textos, contra o aborto e as pesquisas com células embrionárias, assim como contra qualquer tipo de imprensa estatal, apoiando a mais completa liberdade de expressão. É a favor da Lei da anistia do Brasil, mas contra as indenizações concedidas a presos políticos. É contra a descriminalização das drogas, e apoiou a invasão do Iraque e a candidatura de McCain. Também expressou sua descrença com as teorias do aquecimento global. Reinaldo considera a Universidade de São Paulo "uma universidade relevante na área técnica e de pesquisa aplicada e um solene entulho na área de ciências humanas(…)".[3]

Em seu blog, Azevedo faz análises gerais sobre política e cultura, entre outros assuntos. Em 2005, lançou o livro denominado Contra o Consenso – Ensaios e Resenhas (ISBN 8598490113), que reúne 43 ensaios e resenhas, originalmente publicados entre 1998 e 2005 nas revistas Bravo! e Primeira Leitura, e no site desta última . Em setembro de 2008 lançou o livro O país dos petralhas, (ISBN 8501082325). Perguntado, em entrevista concedida a Edney Silvestre na Globo News, em 3 de outubro de 2008, se esse seria um livro "contra o PT", declarou que não, mas sim contra certos setores do PT, acrescentando que, na sua definição, "todo 'petralha' é petista, mas nem todo petista é 'petralha'". « De resto, se somos bastante críticos, e somos mesmo, reivindico para Primeira Leitura a publicação das melhores entrevistas até hoje concedidas à mídia nacional por gente como Antonio Palocci (ministro da Fazenda), Marcos Lisboa (secretário de Política Econômica), Tarso Genro (ministro da Educação) ou Luiz Fernando Furlan (ministro do Desenvolvimento), dentre outros. Em agosto de 2001, fizemos uma entrevista histórica com José Dirceu, hoje ministro-chefe da Casa Civil. Ali anunciávamos que o PT viria para ganhar. Ele foi capa da revista, à frente da bandeira brasileira, com destaque para as palavras "ordem e progresso". Era nosso assinante. Não sei se ainda é. Espero que sim. Ele está entre os leitores que quero ter[1].»
 (Reinaldo Azevedo)




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Autoanálise

Reinaldo Azevedo considera-se um individualista, e defende acima de tudo o paradigma da individualidade, e dos direitos individuais: «Chamam-me filhote do Bush (pena ele nem saber que eu existo…), porta-voz do imperialismo, agente da CIA, da Mossad, tucano enrustido (como se, caso eu fosse tucano, tivesse de me disfarçar de outra coisa) e por aí afora. Acato tudo como parte da guerra. (…) meus textos estão no mundo. Que os adversários os usem para alimentar a sua fúria se não servirem para despertar a sua fome. A minha praia é a liberdade. Minha e alheia. Meu país é o indivíduo. Minha concessão generosa ao mundo é a institucionalidade democrática, já que somos obrigados a ter uma existência além de nosso núcleo familiar. Assim, o meu contrato social supõe o ambiente que garanta aquela liberdade e aquela individualidade, e não o que vem para mitigá-las e se tornar ele próprio um fim[4].»
 (Reinaldo Azevedo)

Corpus: Opinião Jornalística X subjetividade furada

Abaixo, colocaremos o corpus do trabalho. Como o blog está em manutenção, alguns posts ainda estão fora do ar, de forma que tivemos que transcrever literalmente aqui.

Contexto: O jornalista Reinaldo Azevedo discute nesse post a entrevista coletiva dada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), onde esta afirma estar com câncer. A partir desse mote, o jornalista discute a questão da doença e de seus usos políticos e midiáticos, tal como ele denuncia. Pode-se perceber, nesse texto, confluências entre esse discurso que se propões público, e sua história pessoal, haja vista que ele já operou de um tumor cerebral. Abaixo, transcreveremos 2 posts, onde ele aborda essa questão, e que delimitará nosso corpus de análise:

A atitude digna de Dilma
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) confirmou neste sábado, em entrevista coletiva, que faz tratamento contra um linfoma — um câncer nos gânglios linfáticos. Ainda que a notícia, de certo modo, já circulasse, foi bastante digna a sua postura de assumir, serenamente, o problema.

Por que tantos, além de seus amigos e das pessoas que a amam, se interessam por sua saúde? Porque é a principal ministra do governo e porque é a preferida de Lula para disputar a sua sucessão pelo PT. Esse dado vai entrar na equação política? É claro que sim. Sempre entra. No Brasil e em qualquer país do mundo.

Não tenho, como sabem, simpatia pela trajetória política de Dilma Rousseff e, com freqüência, critico sua postura no governo — ou as imposturas do inexistente PAC, que classifiquei, desde o primeiro dia, por aquilo que é: pactóide.

Mas doença não é categoria de pensamento. Doença não serve para distinguir pessoas, nem para o mal nem para o bem. No meu mundo, homens e mulheres são mesmo imperfeitos, têm problemas — inclusive os de saúde. Mas não se conformam com eles. Os males que temos, no corpo e na alma, têm de ser combatidos.

Espero, sinceramente, que a ministra vença a sua doença. E aproveito para dar a diretriz do blog neste caso. Será considerado um inimigo desta página aquele que ousar fazer o que faz a escória que combato: usar essa questão para atingir politicamente a pré-candidata do PT. A Dilma que combato é a que lidera a farsa política do PAC. A Dilma que luta, como todos nós, contra os seus males merece o meu aplauso.

Essa questão não será politizada neste blog, E, caso haja exploração política do caso, tenha ela que natureza for, farei a devida denúncia. O câncer não faz ninguém nem melhor nem pior. O câncer é só um mal. E tem de ser combatido. Que ela tenha sucesso na empreitada.
Por Reinaldo Azevedo | 14:37 | comentários (306)


A POLÍTICA DO SOFRIMENTO
Muitos comentaristas dizem discordar da minha abordagem sobre o caráter eventualmente didático do sofrimento. “Devemos aprender especialmente com a dor, Reinaldo”. Alguns enviam histórias pessoais relatando como se fortaleceram nas crises etc. Vamos lá.

Em princípio, qualquer experiência pode nos ensinar alguma coisa: o câncer ou a leitura de um poema de Fernando Pessoa. Não acredito é no caráter especialmente iluminista da dor, sejam as físicas, sejam as morais. Gosto da ciência e do Deus da analgesia; do remédio que alivia, do Deus que consola. Vejo algo de cruel na pregação, como chamarei?, “exultória” do sofrimento, como se precisássemos dele para nos tornar pessoas melhores. E eu acho que não precisamos. O que não quer dizer que não se deva enfrentar o que há. Ora, que remédio?

Empresas costumam chamar esportistas para conferir palestras – e longe de mim querer tirar o ganha-pão de um monte de gente. O sujeito é o maior cestinha do basquete de todos os tempos? Bem, deve ter algo a ensinar a uma empresa que produz automóveis, não? Por absorção metafórica (!), ele falará sobre a importância da persistência, obstinação, treino permanente, garra, vontade de vencer, conhecimento do adversário, espírito individual de luta, harmonia da equipe... Ao fim da conversa, curiosamente, ninguém está pronto para fazer uma cesta, mas todos acreditam que podem fazer carros melhores...

Com o tal sofrimento, ocorre algo bem parecido. “Diga aí, campeão, como você enfrentou aquele período difícil porque pode ser um bom exemplo”. Pode? Cansei de receber agressões como esta: “É incrível como você não aprendeu nada, né, cabeça furada!?” (esses são os delicados...). Pois é. Com efeito, ter a “cabeça furada” não me fez um homem melhor. Sou apenas um homem da “cabeça furada”. Qual é a moral dessa história? Nenhuma! Sei lá se eu seria o mesmo com o crânio intacto. Poderia ser pior? Poderia. Mas quem me garante que eu não poderia ser melhor? O que sustento é que o sofrimento não tem conteúdo moral.

Vejo agora o caso de Dilma Rousseff. O colunismo áulico já exalta a sua coragem, a sua determinação, o seu esforço... Há algo fora do lugar, de deslocado, nessa abordagem. Pretende-se fazer com a mulher que vai vencer o câncer o mesmo que as empresas fazem com o cestinha de basquete ou o navegador solitário: usá-la como metáfora. “Se venceu a doença, pode vencer as dificuldades do país. E eis o caráter iluminista do sofrimento”. Observem que o Planalto, Lula e o PT nunca foram tão explícitos em admitir que sim, será ela a candidata do partido à Presidência. E só se faz isso diante da admissão da doença, quando, então, o rigor combativo dos adversários necessariamente recua para uma posição cuidadosa, quase defensiva.

No que respeita ao indivíduo, um simples passeio até a esquina pode ser esclarecedor, pode levar a um rasgo de iluminação. Imaginem, então, o sofrimento... A minha abordagem é outra. Estou chamando a atenção para o fato de que está em curso uma construção que torna Dilma “merecedora” da Presidência porque uma batalhadora. Bem pensado, foi o que se fez com o Lula de 2002 e com o Lula no tempo do mensalão: “Ele merece ser presidente, porque veio de baixo (e ela porque enfrentou a doença), e qualquer notícia ou análise que não faça tal afirmação corresponde a tentar tirar do homem (e dela) o que lhe cabe ‘por direito’”. Ademais, notem que a oposição, nesse particular, nada pode fazer sem que passe por cruel. A doença se transformou num ativo político do oficialismo,

O governo pode acionar o "botão quente" da mulher que venceu o dragão. E as oposições não podem dizer o óbvio: o câncer não foi feito nem para melhorar nem para humilhar ninguém.
Por Reinaldo Azevedo | 17:13 | comentários (53)

Aprendam, como nasce um "cabeça furada"

Tesouros Piratas

. ...- -- . / . ...- -- . !!!!

Câmbio! Câmbio! Piratas! Guerreiros Nômades!

Aqui coloco alguns mapas recém roubados, recém desapropriados...

Mapas abertos para alguns cafundós, para os sem (cem)fundos da rede...

Vejamos.:

Baías de tesouros Piratas

www.thepiratebay.com

www.4share.com

www.rapidshare.com

Terrorismo Poético

O HOMEM-ÁRVORE*
(Carta a Pierre Loeb)
Antonin Artaud

O tempo em que o homem era uma árvore sem órgãos nem função,
mas de vontade
e árvore de vontade que anda,
voltará.
Existiu, e voltará.
Porque a grande mentira foi fazer do homem um organismo,
ingestão, assimilação,
incubação, excreção,
o que existia criou toda uma ordem de funções latentes e que escapam
ao domínio da vontade decisora,
a vontade que em cada instante decide de si;
porque assim era a árvore humana que anda,
uma vontade que decide a cada instante de si,
sem funções ocultas, subjacentes, que o inconsciente rege.
Do que somos e queremos na verdade pouco resta,
um pó ínfimo sobrenada, e o resto, Pierre Loeb, o que é?
Um organismo de engolir, pesado na sua carne,
e que defeca e em cujo campo,
como um irisado distante,
um arco-íris de reconciliação com deus,
sobrenadam,
nadam os átomos perdidos,
as idéias, acidentes e acasos no total de um corpo inteiro.
Quem foi Baudelaire?
Quem foram Edgar Poe, Nietzsche, Gérard de Nerval?
Corpos que comeram, digeriram, dormiram,
ressonaram uma vez por noite,
cagaram entre 25 e 30 000 vezes,
e em face de 30 ou 40 000 refeições,
40 mil sonos, 40 mil roncos,
40 mil bocas acres e azedas ao despertar,
tem cada qual de apresentar 50 poemas,
o que realmente não é de mais,
e o equilíbrio entre a produção mágica e a produção automática
está muito longe de ser mantido,
está todo ele desfeito,
mas a realidade humana, Pierre Loeb, não é isto.
Nós somos os 50 poemas,
o resto não somos nós,
mas o nada que nos veste, se ri, para começar, de nós.
Um organismo de engolir vive de nós a seguir.
Ora, este nada nada é,
não é qualquer coisa mas alguns.
Quero dizer alguns homens.
Animais sem vontade nem pensamento próprio,
ou seja, sem dor própria,
que em si não aceitam vontade de uma dor própria
e para forma de viver mais não encontraram que falsificar a humanidade.
E da árvore-corpo, mas vontade pura que éramos,
fizeram este alambique de merda,
esta barrica de destilação fecal,
causa de peste e de todas as doenças
e deste lado de híbrida fraqueza,
de tara congênita, que caracteriza o homem nato.
Um dia o homem era virulento,
só era nervos elétricos,
chamas de um fósforo perpetuamente aceso,
mas isto passou à fábula porque os animais lá nasceram,
os animais, essas deficiências de um magnetismo inato,
essa cova de oco entre dois foles de força
que não eram, eram nada e passaram a ser qualquer coisa,
e a vida mágica do homem caiu,
caiu do seu rochedo com ímã
e a inspiração que era o fundo
passou a ser o acaso, o acidente, a raridade, a excelência,
talvez excelência
mas à frente de um tal acervo de horrores,
que mais valia nunca ter nascido.
Não era o estado de paraíso,
era o estado-manobra, - operário,
o trabalho sem rebarbas, sem perdas,
numa indescritível raridade.
Mas esse estado por que não continuou?
Pelas razões que levam o organismo de animal,
que foi feito para e por animais
e desde há séculos lhe aconteceu, a explodir.
Exatamente pelas mesmas razões.
Mais fatais umas do que outras.
Mais fatal a explosão do organismo dos animais
que a do trabalho único
no esforço dessa vontade única
e muito impossível de encontrar.
Porque realmente o homem-árvore,
o homem sem função nem órgãos que lhe justifiquem a humanidade,
esse homem prosseguiu sob a capa do ilusório do outro,
a capa ilusória do outro,
prosseguiu na sua vontade mas oculta,
sem compromissos nem contacto com o outro.
E quem caiu foi quem quis cercá-lo e imitá-lo
mas logo depois com muita força,
estilo bomba,
irá revelar a sua inanidade.
Porque devia criar-se um crivo
entre o primeiro dos homens-árvores
e os outros,
mas aos outros foi preciso o tempo,
séculos de tempo
para os homens que tinham começado
ganharem o seu corpo
como aquele que não começou
e não parou de ganhar o seu corpo mas no vazio,
e não havia lá ninguém,
e lá não havia começo.
E então?
Então.
Então as deficiências nasceram
entre o homem e o labor árido que era bloquear também o nada.
Em breve esse trabalho será concluído.
E a carapaça terá de ceder.
A carapaça do mundo presente.
Levantada sobre as mutilações digestivas
de um corpo esquartelado em dez mil guerras
e pela dor, e a doença, e a miséria,
e a penúria de gêneros, objetos e substâncias de primeira necessidade.
Os que sustentam a ordem do lucro
das instituições sociais e burguesas,
que nunca trabalharam
mas grão a grão amealharam o bem roubado
desde há bilhões de anos
e conservado em certas cavernas de forças
defendidas pela humanidade inteira,
com algumas tantas exceções
vão ver-se obrigados a gastar as energias
nessa coisa que é combater,
vão lá poder deixar de combater,
pois no fim da guerra e esta agora, apocalíptica,
que há-de vir,
está a sua cremação eterna.
Por isto mesmo eu julgo
que o conflito entre a América e a Rússia,
reforçado ele seja a bombas atômicas,
pouco vai ser
ao lado e em face do outro conflito
que vai repentinamente estalar
entre quem preserva uma digestiva humanidade, por um lado,
e por outro o homem de vontade pura
e os seus muito raros aderentes e sequazes mas com a sempiterna força por si.


• ARTAUD, Antonin. Eu, Antonin Artaud. Lisboa: Hiena Editora, 1988, p. 105-110.


Obs.: É impossível não fazer Artaud falar
não fazer falar o Fora, a Dobra, ou a margem de dentro do rio,
a margem da torrente.

Evoé, Dionisos, evoé, evoé!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Bilioteca de Babel e Internet

http://www.dgidc.min-edu.pt/revista/revista6/a%20biblioteca%20de%20borges.pdf

Sobre os links

O blog do Reinaldo sogreu alterações recentemente, então os links pros nossos textos ainda não estão no ar. Mas segundo informações dele, devem voltar em breve. Enquanto isso fica o endereço do blog: www.veja.com.br/reinaldo. 

Tô preparando uma mini-biografia e informações do background dele.

Desencontros!

Vitor, a gente tinha combinado o encontro em frente à Pro-Aluno, lembra? Até te procurei lá na cantina, mas como fiquei com medo de vc aparece na Pro e eu não estar lá, voltei.

Tô saindo pra Franca, então não terei tempo de deixar aqui as minhas tentativas de interpretação, mas, se der, deixe aqui as linhas gerais do que vc pensou em fazer que eu complemento com as minhas.

Abraço a todos.

PS: Bela contribuição do César!

Paulo II

Novas demandas: você poderia colocar no blog o link para os dois post que estamos utilizando na análise?

Obrigado.

Vitor

Profeta da Francisco Junqueira

Esse post faz parte de meu projeto de divulgação eletrônica do "Profeta da Junqueira" (dei-lhe esse nome pois não tinha outro), alguém (ou "algumas")que expõe mensagens proféticas na Av. Francisco Junqueira. Seu hipertexto (asociações livres, sem autoria explícita, transitórias - surgem e somem sem rastros) tem inúmeros sentidos ligados a essa nova vida eletrônica. Posto aqui um link para meu blog, onde iniciei sua transcrição.

Paulo

Paulo, desculpe, mas acho que não consegui te encontrar na cantina. Quem sabe se navegando nesse Oceano nossos barcos não se cruzem? Quando minha nau atravessas algumas imtempéries, fruto de mapas parcamente traçados, poderemos quem sabe concluir a análise, entrar no furo do jornalista de quem falamos?

PS: Estou sentindo-me muito público aqui, por isso posto poeticamente rsrs.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quem, EU? Eu's?

Alguém sabe me dizer por onde anda meu Eu?

Não sei se foi por ali, ou se por acolá.
Quando me dei por conta, meu Eu já tinha ido pelo ralo.
O ralo de que falo, é o ralo sem fundo da rede
No fluxo descontínuo, na casa que não tinha paredes.

Mas ao falar de rede, não estamos falando de ordem no Caos,
de linhas em meio a tempestade?

Pois é, resolvi entrar pelo ralo, e descobrir onde meu eu foi parar, como Alice.
O que descobri é que meu Eu não parava de mudar, mudava tanto que não dava mais pra falar que sou um, ou que era Eu. O Eu morreu quando nasceu, morreu afogado no meio da corrente, e em seu lugar, nasceram forças, potências, intensidades, devires, fugas.

O organismo foi-se pelo ralo, o Ser se esvaziou no meio da enchente;
a casa anda, o carro no entando não anda.

Mas, quando me enfiei por uma pequena vaga, me disseram que o Eu que eu procurava, não era mais o EU que eu era. Disseram-me que o meu Eu tinha ido embora, e em seu lugar, deixou apenas uma rama de grama.

Talves o Eu tenha virado grama, erva daninha.

Quando tive por outras baías, outros Piratas me disseram que muitos Eu's´já passaram por ali, mas que nenhum Eu voltou mais.

Os que voltavam chamavam-se Homens-Grama, Homens-árvore de Potência, àrvores de vontade.

Devir-grama.

Avante Piratas, em nome de uma pirataria do Eu.

Nós, escrevemos

Grama ao invés de àrvores!!! (mas isso não tem nada a ver com desmatamento da Amazônia, ou mesmo, sair po ai derrubando àrvores).

Ás àrvores que devemos derrubar, são as árvores do totalitarismo, da rigidez do saber institucionalizado, árvores do capitalismo.

Avante Piratas! Tornemo-nos estrangeiros a nós mesmos!!

Vamos embarquem juntos, todos nessa imensa Nau dos Insensatos!!

Avante! Piratas! Avante!!

O prazo é curto! Quanto?

É pessoal, o prazo é curto. Eu tive um problema sério com meu PC, por isso ainda não enviei a Introdução. Agora já está resolvido. Como vcs estão trabalhando? Quem foi na aula hoje, descobriu o dia de nossa apresentação??

Até o começo da Noite eu enviarei a Introdução.

Abraço

César

Post Inaugural!

Pessoal, primeira postagem apenas para fins de teste.

Gostei da idéia do Vitor de mantermos todo o contato por aqui.

Bom, vou lá trabalhar pq o prazo é curto!