- Contextualização:
Considerando que AD pode ser utilizada para avaliar toda espécie de discurso, no jornalismo ela é capaz de revelar sentidos aparentemente ausentes dos textos, aprofundar concepções políticas e trazer à tona os interesses que movem a construção de certos sentidos e o ocultamento de outros. Sendo o jornalismo sempre uma narrativa, a AD pode se consolidar como um caminho a ser percorrido na busca do entendimento das mais variadas questões deste campo.
O texto jornalístico, verbal ou não, possui uma materialidade discursiva, manifesta nos sentidos que faz circular. Analisar estes sentidos, por meio daquilo que é mais superficial ou “material”, significa reconhecer as marcas que regem a construção do texto e guiam a interpretação, identificando as formações discursivas. Significa ainda mapear as diversas vozes presentes no discurso mas, também, as vozes que nele não têm lugar.
“Lemos as notícias acreditando que elas são um índice do real; acreditando que os profissionais do campo jornalístico não irão transgredir a fronteira que separa o real da ficção. E é a existência de um ‘acordo de cavalheiros’ entre jornalistas e leitores pelo respeito dessa fronteira que torna possível a leitura das notícias enquanto índice do real e, igualmente, condena qualquer transgressão como ‘crime’”. Nelson Traquina (1993).
A relação dos jornalistas com seus leitores pode ser às vezes, paradoxal ou hipócrita, dependendo do termo que se prefira usar, uma vez que o jornalismo é uma narração do real mediada por sujeitos (no exercício de suas subjetividades) desta forma as escolhas se dão desde a pauta até a edição, passando pela apuração, seleção das fontes e hierarquização das informações. E curiosamente, mesmo tendo consciência desse processo, o leitor ainda busca no jornalismo uma porta para o real, confirmando que o contrato de leitura realmente funciona.
É interessante, porém, observar que o leitor “real” também tem que se relacionar com esse leitor virtual inscrito no texto. O leitor estabelece com os jornalistas uma relação de confiança ou desconfiança, admiração ou desprezo. Pode ser, como diz Orlandi, um cúmplice ou um adversário. E isto será exemplificado de modo claro no nosso corpus de análise. Além disso, também estabelece com aquele leitor imaginado, residente no texto, uma relação de identificação ou não. Outro exemplo é se o texto é muito hermético ou excessivamente especializado, onde o leitor pode desistir dele por não se identificar com “aquele leitor para quem aquele texto foi produzido”.
Se pensarmos que a mídia não está fora do mundo que pretende retratar veremos que ela é imperfeita, complexa e inacabada como ele, e em seu interior se movem sujeitos plenos de pensamentos, idéias e interesses a defender. Mesmo quando estes interesses parecem ser nobres ou ter validade universal, mesmo nesses casos jornalistas são sujeitos que lutam para conciliar seus critérios éticos e jornalísticos (o seu “news judgement”) com as informações que julgam relevantes e organizadas do ponto de vista que consideram mais adequado. Por que alguns se angustiam tanto com a expressão “subjetividade”? Talvez porque, ao defenderem a precisão, a exatidão, a clareza (que abomina a ambigüidade) e o equilíbrio como critérios pragmáticos para evitar o erro, a inverdade, a fraude e a manipulação, tenham na verdade idealizado uma “objetividade” (cuja coexistência com a subjetividade é vista como impossível). Fazer objetividade e subjetividade conviverem em um mesmo espaço exige um pensamento de maior complexidade, não excludente, que aceite o movimento das contradições. A Análise do Discurso, de certo modo, joga luz sobre esse falso dilema.
Daiane Cristina Guerra
Referências bibliográficas:
• Cristina Teixeira Vieira de Melo. A análise do discurso em contraponto à noção de acessibilidade ilimitada da internet. Disponível em: http://www.ufpe.br/nehte/artigos.
• Marcia Benetti Machado; Nilda Jacks. O discurso jornalístico. Texto apresentado em encontro do GT Estudos de Jornalismo da COMPÓS. Disponível em: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/1515.html.
O texto jornalístico, verbal ou não, possui uma materialidade discursiva, manifesta nos sentidos que faz circular. Analisar estes sentidos, por meio daquilo que é mais superficial ou “material”, significa reconhecer as marcas que regem a construção do texto e guiam a interpretação, identificando as formações discursivas. Significa ainda mapear as diversas vozes presentes no discurso mas, também, as vozes que nele não têm lugar.
- Jornalismo informativo
- “Contrato de leitura”
“Lemos as notícias acreditando que elas são um índice do real; acreditando que os profissionais do campo jornalístico não irão transgredir a fronteira que separa o real da ficção. E é a existência de um ‘acordo de cavalheiros’ entre jornalistas e leitores pelo respeito dessa fronteira que torna possível a leitura das notícias enquanto índice do real e, igualmente, condena qualquer transgressão como ‘crime’”. Nelson Traquina (1993).
- Jornalismo como “espelho do real”: uma ilusão necessária
A relação dos jornalistas com seus leitores pode ser às vezes, paradoxal ou hipócrita, dependendo do termo que se prefira usar, uma vez que o jornalismo é uma narração do real mediada por sujeitos (no exercício de suas subjetividades) desta forma as escolhas se dão desde a pauta até a edição, passando pela apuração, seleção das fontes e hierarquização das informações. E curiosamente, mesmo tendo consciência desse processo, o leitor ainda busca no jornalismo uma porta para o real, confirmando que o contrato de leitura realmente funciona.
- A linguagem determinada pelas formações imaginárias
- A relação jornalista e leitor
É interessante, porém, observar que o leitor “real” também tem que se relacionar com esse leitor virtual inscrito no texto. O leitor estabelece com os jornalistas uma relação de confiança ou desconfiança, admiração ou desprezo. Pode ser, como diz Orlandi, um cúmplice ou um adversário. E isto será exemplificado de modo claro no nosso corpus de análise. Além disso, também estabelece com aquele leitor imaginado, residente no texto, uma relação de identificação ou não. Outro exemplo é se o texto é muito hermético ou excessivamente especializado, onde o leitor pode desistir dele por não se identificar com “aquele leitor para quem aquele texto foi produzido”.
Se pensarmos que a mídia não está fora do mundo que pretende retratar veremos que ela é imperfeita, complexa e inacabada como ele, e em seu interior se movem sujeitos plenos de pensamentos, idéias e interesses a defender. Mesmo quando estes interesses parecem ser nobres ou ter validade universal, mesmo nesses casos jornalistas são sujeitos que lutam para conciliar seus critérios éticos e jornalísticos (o seu “news judgement”) com as informações que julgam relevantes e organizadas do ponto de vista que consideram mais adequado. Por que alguns se angustiam tanto com a expressão “subjetividade”? Talvez porque, ao defenderem a precisão, a exatidão, a clareza (que abomina a ambigüidade) e o equilíbrio como critérios pragmáticos para evitar o erro, a inverdade, a fraude e a manipulação, tenham na verdade idealizado uma “objetividade” (cuja coexistência com a subjetividade é vista como impossível). Fazer objetividade e subjetividade conviverem em um mesmo espaço exige um pensamento de maior complexidade, não excludente, que aceite o movimento das contradições. A Análise do Discurso, de certo modo, joga luz sobre esse falso dilema.
- Estratégias discursivas
- Ciberespaço: o discurso dos “excluídos”
Deste modo a AD pode mostrar o que no jornalismo habitualmente permanece oculto: quem fala e a partir de qual posição ideológica.
Daiane Cristina Guerra
Referências bibliográficas:
• Cristina Teixeira Vieira de Melo. A análise do discurso em contraponto à noção de acessibilidade ilimitada da internet. Disponível em: http://www.ufpe.br/nehte/artigos.
• Marcia Benetti Machado; Nilda Jacks. O discurso jornalístico. Texto apresentado em encontro do GT Estudos de Jornalismo da COMPÓS. Disponível em: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/1515.html.
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