“Cabeça Furada”
(referência ao jornalista por um comentarista, recortado por ele próprio)
E é justamente por esse furo, não o real (feito cirurgicamente), mas o discursivo que, como uma garrafa de Klein, cria uma tessitura contínua entre o dentro e o fora, o privado e o particular. Mesmo com a possibilidade do jornalista de eliminar os comentários que desejar, isso não elimina os efeitos de discurso que essa rede propicia, que parece, neste caso, reforçar o adjetivo analisado. Isso pode ser compreendido pelo laço explícito entre duas histórias: o câncer de Dilma e o tumor de Reinaldo.

A expressão “cabeça furada” insere-se nessa zona de passagem, turbulenta, por várias perpectivas.
Pode-se compreender aí o efeito de sentido que a palavra “furada” adquire, mobilizando redes de sentido relacionados à doença, câncer, salientando o “furo” como algo negativo, uma determinada falta.
“É incrível como você não aprendeu nada, né, cabeça furada”
Essa citação que o jornalista fez de um comentário (selecionado por ele) dirige a polissemia da palavra “furada”, enquanto adjetivo do substantivo “cabeça”, ao se encontrar em uma frase ao lado do verbo aprender. Nossa cabeça carrega vários sentidos vinculados ao conhecimento, aprendizado. “Não aprender” e “cabeça furada” parecer estar em uma relação de causa e efeito.
“não aprendeu nada, pois tem a cabeça furada”
O furo aí é um furo biológico, discursivo e moral: como se questionasse e, em última instância, desse uma explicação biológica à imobilidade do jornalista em suas opiniões, no caso, seu posicionamento crítico frente ao PT e alguns de seus partidários e políticos.
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